memórias e mosaicos

Estranho passar por um lugar que  continua igual, quando você já não é o mesmo.

Caminhos diferentes fazem com que grandes transformações aconteçam dentro de todos os seres humanos que por eles passam. É esse o processo natural de crescimento e construção dessse grande mosaico chamado existência, ou para os amantes da palavra “vida”.

Caminhos não se resumem em lugares, estar em locais diferentes pode resultar nesse processo ” pó royal”  de crescimento de existência, mas  a simples escolha  ou a  experiência de vida imóvel mas refletida e ousada, ou até memso sofrida,  podem resultar brutal mudança. 

Aquele “sim” (mesmo no lugar de sempre) muda muito.

Mas de volta  ao que era assunto e se dispersou, depois de tanto girar o mundo, está você no velho lugar, tudo continua igual, você não… e aí?

Aí o valor da memória se torna absoluto, o Sol que bate naquele vidro faz dele laranja e disso vem a lembrança do eu que existiu, existe e se transformou. Este fragmento – de local e ser-  é só o que há, 0 ser transcende ao que é material, mas a recordação que daí vem continua…

A verdade é que o crescimento implica em mudança ou andança, dentro ou fora de si ……………….. Só não cresce quem pensa em círculos…………. as memórias se encarregam de enfeitar o lugar que passou, as flores caem muito bem.

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6 Comments

  1. Andrew said,

    August 28, 2010 at 4:28 am

    What if we do improve as human being that we are changing, moving, but at end of the road, our pain consists on realize that we’re still the same and live like our parents, don’t we LIVE in circles, even doing whatever we do, going wherever we can?

    Good to read your texts.

    Rgds

    • sagarana said,

      September 1, 2010 at 3:29 pm

      Penso que viver em círculos é possível, mas isso me lembra um pouco um mundo cartesiano, hoje penso que vive-se em um mundo relativo como proposto por Einstein, ou seja em rede. A rede é imprevisível e caótica, mas podemos sim parar bem onde nossos pais estão. Deixando essa babozeira geométrica toda de lado, andamos por caminhos que escolhemos, não seria uma escolha estar onde os nossos pais estão? Isso sem julgar o caráter positivo ou negativo desse fato, afina, já disse Elis Regina com carinho que nossos ídolos ainda são os mesmos…

      • Andrew said,

        September 6, 2010 at 1:39 am

        Embora genial e despreendida sua bela argumentação, ouso discordar: (i) se a vida é uma rede dinâmica e relativa como Einsten, não importam nossas escolhas. ex: tente permanecer em pé numa rede daquelas de deitar, por mais equilíbrio que tenhamos, as pernas uma hora bambeiam e por que não deitarmos nela – tão confortável – em vez de escolhermos ficar em pé? saindo da metáfora: trata-se de um binômio escolha-ambiente. (ii) quanto aos ídolos, quem um dia admira Napoleão, pode acordar no outro enaltecido pela poesia de Cazuza, compreende a disparidade entre esses dois personagens? Não há uma escolha, mas um novo discernimento, não escolhemos os ídolos, nos enxergamos neles…”temos em nós todos os sonhos do mundo”.

  2. Rubem said,

    September 12, 2010 at 4:51 pm

    Andrew,

    Interessante tua reflexão sobre as implicações da relatividade das escolhas, mas ouso tmbém discordar de ti. As infinitas possibilidades do ambiente que tem essa relação tautológica com nossas escolhas tornam improvável que terminemos no exato lugar em que nossos pais terminaram.
    A sociedade, como ente dinâmico, pode ter comportamentos cíclicos de um determinado ponto de vista, mas é a isto que se resume toda essa aflição que se têm ao olhar o mundo temporal: pontos de vista.
    O próprio ponto de vista pode determinar o ambiente que influi, em certa medida, nossas escolhas. E dado que o ponto de vista é formado por uma confluência de fatores quase ilimitados, qual a chance de vermos o mesmo ambiente que viam nossos pais e fazermos as mesmas escolhas que fizeram eles?
    Ainda que possível, apesar de improvável, por mais que de um ponto de vista de observador possa ser afirmado que duas trajetórias de vida levaram a um mesmo destino/status final, o que importa não é o ponto de vista do sujeito, em oposição ao deste observador?

    Em questão de sentimentos quanto à nossa existência não se devia usar a comparação com outros seres pensantes. As características que nos tornam seres individuais são as mesmas que tornam, penso eu, indevida esta compulsão que temos em buscar por padrões e ciclos em filosofias sobre a existência.

    Sagarana,

    Penso que a análise cartesiana seja possível, apesar de parecer contrário aos meus próprios argumentos. No entanto creio ser impossível se reduzir a análise a um número de dimensões que um mero ser humano seja capaz de compreender.
    Acho que tudo pode ser compreendido por se analisar variáveis, mas não creio que a vida possa ser simplificada a ponto de nós humanos nos assoberbarmos em classificar estas relações de forma cartesiana.

    Amo seus textos…. e muito mais de você que você nem pode imaginar.

  3. sagarana said,

    September 17, 2010 at 2:55 am

    Sem complementar nada, quero dizer que essas reflexões alegram muito “Sagarana O blog”, afinal deixam ele mais vivo e mais pensante. Sensacional.

    Agora… pensei que deitar na rede enjoa e aí está o problema Andrew! Se é difícil estar de pé, deitar também pode cansar… ainda bem, que a vida é viver…

    Seja cartesiano ou não, OK nada de classificações Rubem, a reflexão máxima do texto era a mudança e acho que dessa vez definitivamente não pensamos em círculos.

  4. Andrew said,

    September 19, 2010 at 1:51 am

    Eu tinha escrito praticamente o alcorão pra tentar argumentar e quando teclei o submit.. deu erro!!! E sabe o que foi mais interessante? Nestes três segundos eu refleti e percebi que nao cabem classificações mesmo.. porque o ponto que eu estava tentando defender Sagarana é que sim, vc está certissimo quando diz que deitar cansa, mas eis a questão.. o que parece à primeira vista que optei por levantar, não foi minha escolha, foi a minha essência manifestando-se, não devem concordar comigo mas compreendem ? e se partissemos do pressuposto que a vida é dinamica? neste ato estamos classificando o dinamismo como uma regra, ou seja, mesmo o dinamico está programado.. por que eu chamo escolha de escolha e não de vida ? Caeiro está se revirando na cova rsrsrs e por fim, pensariamos em circulos na classificacao. Foi ótimo bater um papo com vcs, prazer Rubem, um bjo Churchil. Sucesso.


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