A ótica da vida

Há dias e dias na vida, em cada um desses dias um jeito diferente de sentir o mundo.

Sentir o mundo é – antes de mais nada-  viver, não fazer isso é estar fechado à vida e toda a sua magnitude.

Recentemente descobri que essa maneira como se sente a vida é comparada à  miopia, há dias em que vejo tudo limpo, simples objetivo, com menos mística e menos especulação… com uma nitidez única, que elimina a problematização daquilo que não se conhece.

Mas há dias em que faltam as lentes, não é uma escolha, é um humor natural. Nesses dias os sentimentos e as paixões borram a visão que vai além dos olhos, tudo se transforma em Rembrandt e Renoir. A mística paira sobre a vida, a incerteza permeia o ambiente e o instinto mais  escondido aflora.  

Não há como escolher os dias, a vida é feita da junção de todos eles… na ótica da vida não vendem nenhum tipo de óculos ou coisa que o valha.

 Os exames de vista não existem . Ou se vive – ou se examina.

Há dias…               e só.