A Melancia sobre o livro em espanhol

Pode-se dizer que a  leitura é um hobby que embeleza a vida de milhões de cidadãos mundiais, seja um livro acadêmico ou mesmo um gibi,  é sempre bem vinda a atitude de decifrar letras, códigos, cores e construir dentro de si um emaranhado de histórias, de sonhos.

Foi exatamente a  leitura que abriu o horizonte de descobertas dentro de mim, mas de uma maneira peculiar… é sabido que ler para mim é um prazer, algo gostoso, iiiissso mesmo, gostoso. Mas ultimamente andava lendo um certo livro em espanhol, peguei um livro “dele”, sim… pois considero um livro de leitura simples, bom para desenvolver uma leitura fluida, contando claro, com o aprendizado de um segundo idioma.

O que não percebia nessa teia de intenções, era que o prazer pela leitura começava a ficar em segundo plano… e isso se tornou então uma grande metáfora para a vida em si, em que é tão difícil sentir o prazer, vivenciar o prazer, já que acabamos encontrando subterfúgios para fazê-lo de maneira obrigatória

Aí você me pergunta: E o que a tal da Melancia tem haver com isso?

Melancia, não a fruta, o livro… foi um best seller lançado por Marian Keyes que alcançou uma vendagem volumosa, mas que não é assim aquele livro que a crítica enalteceria. Antes de ter essa clareza de idéias, eu diria que é mais um livro caça níqueis – sem qualidade. Hoje, eu percebo que é um livro que provocou o prazer da leitura em muitas pessoas.

Sob esse novo prisma, o livro em espanhol cai por terra frente a uma simples Melancia, o que fica é o aprendizado que não se deve transformar os hobbies, nem os prazeres em obrigação. Assim como os livros, nem a crítica, nem os críticos devem criar a regra do que é o prazer para todos, somente aquilo que descola nossos pés da terra será prazer e cada cidadão desse mundo deverá encontrar os seus e

                                                                                                                      mais do que isso, lutar  para preservá-los.

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Garoa

Sentei em um ponto de ônibus, era  um daqueles dias chuvosos em que nada parece  estar no lugar, parece até que a chuva sai de baixo só para enxarcar melhor o pé.

Mas era um clima  xkscjlkdscp mesmo assim, porque a garoa no inverno deste lugar faz a atmosfera parecer mais mística, mais paulistana.  Mas não é do dia, nem da cidade  que se trata esta carta, então continuo no ponto…

Sentei.  Se aproximou um homem que dizia estar procurando um dicionário de grego antigo pela região.

Pensei:  Ahn… por que essas pessoas que tem guarda- chuvas voadores sempre aparecem na minha vida?

Talvez porque num dia cinzento em que a fumaça parece escurecer o humor,  sempre algo pode acontecer para colorir a vida…não só uma pessoa, talvez uma nuvem, uma flor, um livro ou uma lembrança.

Fato é que esse ser tão inesperado do ponto de ônibus queria dividir lembranças. Lembranças de um mundo hippie, em que se lia o Pasquim. Não é possível se esquivar de alguém que divide memórias, seria como se livrar de um capital incalculável, de um bem intangível. Seria recusar uma pincelada de cor em um dia cinza. Impossível.

Nos dias cinzas, há sempre uma aquarela… os pingos da garoa sempre podem ser coloridos. Não acredito em coincidências.

Sem mais,

Entre sacos e gangorras

O que rola é que de vez em quando até os sacos mais fundos são preenchidos por algo que expulsa o ar fresco.

 Seria fácil falar que às vezes todos nós cansamos de algum tipo de situação, mas não é tão simples assim… primeiramente, porque aquilo que preenche o saco pode ser um ato, uma pessoa, uma palavra, ou até mesmo, o próprio dono do saco espontaneamente.

  Acho (cá entre nós) que este ser que escreve se encaixa melhor no último quadro – acontece o seguinte, o mundo todo é regido pela teoria da gangorra. Não ilustre leitor, não se trata de uma aula de física, é apenas uma compreensão de uma brincadeira de crianças, em que às vezes alguém sobe e alguém desce.

A vida é regida pela gangorra – porque se todos ficarem sentados sem impulsionar, ninguém se diverte e o mundo não gira. É preciso ser generoso para que o outro se alegre e é preciso que o outro tenha o mesmo nível de compreensão da engenhoca para te alegrar, ou, mais do que isso, o mesmo nível de doação.

Acontece que por vezes, alguns seres – por algum tipo de sentimento, pensamento, ou coisa que o valha- decidem sempre segurar a gangorra mais embaixo, afinal… não ceder dói, dizer não dói… ah e claro que sim… são muitos anos de um ensino que ultrapassa o religioso, culminando na automutilação. A mutilação dos próprios sonhos, pelos sonhos de outrem. 

É aí que entro em “o próprio dono preenche o saco espontaneamente”. UFA!!! Até que enfim uma reação a esse estado patético. Você não achava que eu tinha este estado de saco cheio como danoso, achava??? Na verdade ele é pura libertação! É nele que se podem tirar as vendas do dever, da ultra doação e gritar: “Caralho! Deixa eu subir nessa gangorra porra!”

É justo que todos brinquem igualmente no playground da vida (nossa que frase brega!), sim é! Os amigos de verdade não vão ligar de descer (eles só vão se assustar com a frase gritada acima), enfim, vão descer por você … e os aproveitadores vão se afastar,  ótimo (eu não quis focar muito nos aproveitadores, mas eles existem).

Apenas voltando ao tema inicial: Saco cheio…

Bendito seja o saco cheio, amém!