Viole a embalagem!

Primeiro foi um olhar de relance em um site de relacionamentos… esse olhar me mostrou uma infinidade de pessoas lindas . Não!  Me mostrou uma infinidade de pedaços lindos de pessoas complexas, pessoas que com uma pinça selecionam uma imagem dentro do espectro de suas próprias almas a ser representante do todo… essa parte é que será aceita pelos consumidores da sociedade, ou seja, por mim, por você, por nós todos. Eu não nego – seleciono também a minha parte – não quero ficar encostada na prateleira! Antes de cair em desuso, pretendo me reposicionar. Meu “eu produto” sabe que precisa se vender, é cruel e é real. Poderia tomar agora uma atitude demagoga e dizer: “Abaixo a embalagem!” mas não estaria sendo leal com minha própria prática. Tudo o que posso dizer agora é  ” Viole a embalagem”, nisso consiste o ritual de encontrar o conteúdo, os espectros, os pedaços, os mosaicos de gente… dentro dos sacos plásticos há seres de todos os tipos, mas só se consegue descobrir o conteúdo abrindo. Poderá então, inclusive, ser ignorado o prazo de validade. Validade de gente é eterna.

entreatos

Mesmo fugindo da temática tão exploratória do “EU” recorrente nos último tempos de Sagarana, decidi escrever sobre “Entreatos”  doc de João Moreira Sales que acompanhou o processo de eleição do Lula.

É incrível assistir a todo esse processo a esta altura do campeonato, certamente, muito mais rico agora que já se passaram tantos mensalões e tantas brigas de galo do Duda Mendonça, personagem  chave no filme.

A parte mais  sensacional de ser um observador de um momento no passado,  é poder conferir a maneira nem tão lenta com que as máscaras são jogadas em precipícios. Isso vale para qualquer coisa na vida.

Fato é que o filme faz pensar sobre a maneira como surgem os líderes, sobre como o sistema  obriga que  o homem entre em sua ciranda e sobre o ponto em que estamos hoje: em que para governar é preciso desgovernar/corromper. 

De qualquer forma, não será a vida uma grande eleição? 

Basta viver para entrar na ciranda das escolhas, das barganhas e da governabilidade da própria existência. Dentro disso tudo, seguramente só recomendo que se deixem de lado os galos de briga – desta vez,  brigaremos nós mesmos.

Atenciosamente,

Sociedade Protetora dos Animais